Carrapatos

(Carrapato-estrela, Carrapato de cachorro, Carrapato de cavalo, Micuim)

*Ixodes scapularis* / *Amblyomma americanum* / *Dermacentor variabilis*

Picadas e Hematófagos · Enciclopédia de Pragas

Identificação e Aparência

Os carrapatos são parasitas externos hematófagos pertencentes à subclasse Acari dos aracnídeos. Antes de se alimentar, os carrapatos adultos medem 2-10 mm, com corpo achatado em forma de pera ou escudo de cor cinza-marrom a marrom-avermelhado. Diferente dos insetos, os carrapatos têm o corpo fundido sem segmentação distinta de cabeça-tórax-abdômen. Seu aparelho bucal é complexo, consistindo de quelíceras e palpos com farpas voltadas para trás que ancoram firmemente na pele — daí a dificuldade em remover um carrapato fixado. Sua cutícula flexível permite expansão dramática durante a alimentação, inchando até várias vezes seu tamanho original, até 2 cm ou mais. Existem mais de 800 espécies de carrapatos no mundo. Espécies domésticas comuns na China incluem Haemaphysalis longicornis e Rhipicephalus sanguineus. Os carrapatos são parasitas de três hospedeiros, exigindo um novo hospedeiro para cada estágio de vida: ovo, larva, ninfa e adulto. O ciclo de vida completo leva meses a um ano na natureza.

Hábitos e Esconderijos

Os carrapatos entram nas casas principalmente pegando carona em pets ou pessoas que retornam de áreas externas. Os carrapatos não podem voar, mas empregam uma estratégia única de forrageamento chamada 'questing' — sobem nas pontas das folhas de grama ou arbustos e esperam com as patas dianteiras estendidas, detectando hospedeiros que se aproximam através do CO₂ exalado, calor corporal e odor. Dentro de casa, os carrapatos se concentram ao redor de: camas de pet e áreas ao redor (a principal zona de dispersão interna, onde os carrapatos caem ou rastejam para longe dos pets); soleiras de varandas e frestas de portas/janelas (principais rotas de entrada, especialmente para unidades térreas com vegetação perto das janelas); rodapés e bordas de carpetes (caminhos internos de rastejamento e dispersão); e áreas de armazenamento de roupas (onde roupas de exterior são guardadas, um veículo comum de entrada de carrapatos). Os carrapatos geralmente não conseguem completar seu ciclo de vida dentro de casa porque precisam de mais de 80% de umidade relativa, mas podem sobreviver rastejando dentro de casa por dias em busca de uma oportunidade de se fixar novamente.

Riscos à Saúde e Danos

  1. Picadas de carrapato causam vermelhidão localizada, inchaço, dor e calor. Devido ao aparelho bucal farpado, a remoção inadequada (torcer ou puxar com força) pode deixar partes bucais incrustadas na pele, levando a infecção local, formação de abscesso ou granuloma que exige extração cirúrgica.;
  2. Os carrapatos são o segundo vetor de doenças mais importante depois dos mosquitos, capazes de transmitir múltiplos patógenos sérios: vírus da encefalite transmitida por carrapatos, Borrelia burgdorferi (doença de Lyme), Anaplasma phagocytophilum (anaplasmose granulocítica humana) e vírus da síndrome de trombocitopenia com febre severa (bunyavírus SFTS, que tem taxa de fatalidade significativa). Diferentes espécies de carrapatos transmitem diferentes perfis de doenças. Qualquer pessoa picada por um carrapato deve monitorar febre, dor de cabeça ou erupção cutânea e procurar atendimento médico se os sintomas aparecerem.;
  3. Uma vez trazidos para dentro de casa, os carrapatos podem cair dos pets e rastejar pela casa em busca de um novo hospedeiro. Podem sobreviver dias a semanas em ambientes internos secos, exigindo remoção rápida e completa.;
  4. Nunca remova um carrapato fixado com os dedos nus — use uma pinça de ponta fina para agarrar o carrapato o mais próximo possível da superfície da pele e puxe para cima com pressão constante e uniforme. Não torça nem puxe com força. Desinfete o local da picada com álcool ou iodo depois.

Espécies Comuns

Existem 3 espécies comuns de carraças dentro e ao redor das casas, com diferenças significativas nas doenças que transmitem. A identificação da espécie é fundamental para a avaliação médica.

Carraça-de-patas-pretas

Ixodes scapularis

Os adultos não alimentados medem cerca de 3–5 mm, superfície dorsal preta. Principal vetor da doença de Lyme causada por Borrelia burgdorferi. A atividade das ninfas atinge o pico de maio a julho; os adultos de outubro a novembro e de março a maio. Encontrados em florestas decíduas e mistas, frequentemente à espreita em pontas de grama e topos de arbustos à espera de hospedeiros.

Carraça-americana-do-cão

Dermacentor variabilis

Os adultos não alimentados medem cerca de 3–5 mm, com marcas brancas ou cinzentas no escudo. Principal vetor da febre maculosa das Montanhas Rochosas e da tularemia. Ativos principalmente durante o dia, mais abundantes em pastagens e campos abertos; a atividade dos adultos atinge o pico de abril a julho.

Carraça-da-estrela-solitária

Amblyomma americanum

Os adultos não alimentados medem cerca de 3–5 mm; as fêmeas têm uma mancha branca distinta na superfície dorsal. A espécie de carraça mais agressiva, movendo-se ativamente em direção aos hospedeiros. As picadas podem causar síndrome alfa-gal (alergia à carne vermelha) em humanos — o único artrópode conhecido capaz de desencadear uma alergia alimentar.

Estação e Região

Cosmopolita. Período ativo principal de março a outubro, pico de maio a julho.

RegiãoEstaçãoPicoObservações
Hemisfério Norte Subtropicalabr.–out.mai.–jul.Áreas florestais — *I. persulcatus*; áreas montanhosas — *H. longicornis*
Período Ativo: Diurno; pico de atividade pela manhã e ao entardecer.
Onde se Reproduzem: Externos (campos, arbustos, florestas, bordas de plantações); Internos (camas de animais, entradas, tapetes).