Prevencao da Dengue: Dicas de Controle de Mosquitos
A dengue — por vezes chamada "febre quebra-ossos" pela dor agonizante que provoca nas articulações e músculos — infeta uma estimativa de 100–400 milhões de pessoas por ano em todo o mundo, segundo a OMS. Não existe tratamento antiviral específico uma vez infetado, e uma segunda infeção com um serotipo diferente da dengue pode desencadear dengue grave (febre hemorrágica da dengue), que é potencialmente fatal.
A única forma fiável de prevenir a dengue é evitar ser picado por um mosquito infetado. Em Portugal continental, o vetor competente é o mosquito-tigre asiático (*Aedes albopictus*), presente em 28 concelhos (2025). A transmissão local ainda não foi documentada em Portugal, mas o risco é real dada a presença do vetor e a importação frequente de casos viajantes.
### Compreender o inimigo: comportamento do mosquito *Aedes*
Saber quando e onde estes vetores atacam é a base da prevenção:
- Picam durante o dia. Períodos de pico: início da manhã (2–3 h após o nascer do sol) e final da tarde (2–3 h antes do pôr-do-sol). Ao contrário dos mosquitos-comuns, os *Aedes* estão ativos enquanto está acordado e ao ar livre.
- Reproduzem-se em pequenos recipientes. Põem ovos em qualquer pequena poça de água estagnada — pratos de vasos, pneus descartados, barris de chuva, taças de animais, até uma tampa de garrafa. Os ovos colados às paredes dos contentores sobrevivem meses em ambiente seco e eclodem quando re-hidratados.
- Raio de voo curto. Os adultos permanecem tipicamente num raio de 200 metros do local de criação. Isto significa que os mosquitos que o picam quase certamente eclodiram na sua propriedade ou na do vizinho.
- Aproximação silenciosa. Os mosquitos *Aedes* voam baixo e aproximam-se por baixo, picando frequentemente tornozelos e pernas sem serem notados.
### Estratégia 1: Eliminação de criadouros (a medida mais eficaz)
Esta é a medida de prevenção com maior impacto — mais eficaz do que qualquer repelente, armadilha ou campanha de fumigação:
- Inspeção semanal. Percorra toda a propriedade e despeje tudo o que acumule água.
- Cobrir ou descartar. Guarde baldes, carrinhos de mão e ferramentas virados para baixo ou dentro de casa. Descarte pneus velhos, latas e garrafas.
- Caleiras e algerozes. Limpe para que a água flua livremente — caleiras entupidas são um dos criadouros mais comuns e esquecidos.
- Contentores que não pode esvaziar. Para lagos ornamentais, fontes e áreas de drenagem, aplique larvicida com *Bacillus thuringiensis israelensis* (Bti). O Bti mata larvas de mosquito sem prejudicar pessoas, animais ou ambiente.
- Barris de chuva. Tape com tampa hermética e rede mosquiteira fina.
- Plantas de interior. Mude a água de jarras e contentores hidropónicos pelo menos duas vezes por semana.
### Estratégia 2: Proteção pessoal — repelentes e roupa
Quando precisar estar ao ar livre durante o dia em zonas de risco:
- Aplique repelente tópico com DEET (20–50%), icaridina (picaridina), IR3535 ou citriodiol (PMD), recomendados pela DGS e OMS.
- Use camisas de manga comprida e calças largas — os mosquitos *Aedes* podem picar através de tecido justo.
- Trate roupa, equipamento e tendas com permetrina para proteção prolongada. A permetrina é um inseticida, não um repelente — mata mosquitos por contacto. Nunca aplique permetrina diretamente na pele.
### Estratégia 3: Barreiras físicas em casa
- Instale redes mosquiteiras em todas as janelas e portas; repare buracos imediatamente (malha 16×16 fios/cm² mínimo).
- Use ar condicionado sempre que possível — os mosquitos são menos ativos em espaços fechados e frescos.
- Se dormir ao ar livre ou em divisões sem rede, use mosquiteiro tratado com permetrina.
### Estratégia 4: Precauções comunitárias e em viagem
- Antes de viajar. Consulte os avisos de viagem do ECDC, CDC ou DGS para o risco de dengue no destino. Leve repelente tópico e roupa tratada com permetrina.
- Durante a viagem. Fique em alojamentos com ar condicionado ou redes mosquiteiras; use mosquiteiro se não houver redes.
- Após a viagem. Mesmo que se sinta bem, mantenha a prevenção de picadas durante 3 semanas — pode estar infetado sem sintomas, e os mosquitos locais podem recolher o vírus de si e propagá-lo.
- Ação comunitária. Organize limpezas de bairro. Como os mosquitos *Aedes* raramente voam para além de 200 m, a redução coordenada de fontes em todo o quarteirão pode reduzir drasticamente o risco local de dengue.
### Estratégia 5: A vacina da dengue
A vacina Qdenga (TAK-003) foi aprovada pela EMA em 2022 e está disponível em Portugal desde 2024–2025 para:
- Viajantes a zonas endémicas (Brasil, Sudeste Asiático, América Latina tropical).
- Crianças e adolescentes (4–16 anos) em zonas de risco.
Não é universalmente recomendada para adultos em regiões não-endémicas. Consulte o seu médico sobre a elegibilidade.
### O que fazer se suspeitar de dengue
Os sintomas aparecem tipicamente 4–10 dias após a picada: febre alta, dor de cabeça intensa, dor atrás dos olhos, dor muscular e articular, náuseas, e por vezes erupção cutânea. Se tiver estes sintomas:
- Procure assistência médica imediatamente (SNS 24: 808 24 24 24 ou centro de saúde).
- NÃO tome aspirina nem ibuprofeno — podem aumentar o risco de hemorragia. Use paracetamol para febre e dor.
- Repouse, hidrate-se e monitorize sinais de alarme de dengue grave: vómitos persistentes, dor abdominal intensa, hemorragia de gengivas ou nariz, respiração rápida, fadiga extrema. Se algum destes aparecer, dirija-se a uma urgência hospitalar.
### Medidas da DGS e SNS 24
A DGS e o SNS 24 recomendam (2025):
- Eliminação de água parada no espaço privado (responsabilidade individual).
- Comunicação de avistamentos confirmados do mosquito-tigre via projeto "Mosquito Alert" (aplicação móvel oficial de ciência cidadã).
- Procurar atendimento médico em caso de febre acompanhada de picadas recentes em zonas com presença confirmada do vetor.
- Repelente tópico (DEET 20–35% ou icaridina 20%) durante o dia em zonas costeiras (Lisboa, Cascais, Sintra, Setúbal, Algarve) entre maio e outubro.